O amor que existe em mim…

 

Depois de já ter confundido, inúmeras vezes em minha vida, o que é desejo próprio e desejo do outro em relação a mim, eu resolvi meditar sobre o amor que existe em mim.
Meu coração é tão aberto a ouvir e a aprender que muitas vezes já me vi encantada pelo sonho do outro. E frustrada por não caber nele.
O amor que existe em mim é meu, é de todos…
Eu realmente tenho um desejo de que o ser humano pare de olhar para o próprio umbigo e conviva, com viver. A experiência mais divina nessa terra, a convivência. Estar com o outro, ser visto, ser ouvido, ser amado.
Amar amar.
E amor é deixar que o outro seja feliz, da maneira que for. É deixar que o outro seja o que ele é. Amor não é posse, não é imposição, muito menos sob ou sobreposição. Amor é encaixe, é estar mais presente do que em presença.
É desejo sincero que o outro seja pleno.
A distância às vezes deixa um vazio que só o amor preenche.
Quando a vontade de estar perto de alguém acelera meu coração, encurto a distância… “estou com saudade”. O nome disso não tem outro substantivo. Saudade, a certeza do que de fato está presente em nós. Compreensível até nas línguas em que essa palavra não existe.
A saudade é um estado de espírito. É a vontade que faz atravessar o oceano.
Sublime saudade, superlativo do amor.
Conviver com a distância é um exercício para quem ama.
A duração dos encontros de
amor infinito nem sempre são eternos em corpo, mas são sim em presença.
“É o fogo que arde sem se ver…”
Ou chama que nunca se apaga.
Medito sobre o amor…
Acolho esse amor todo no meu coração, espalho, sussurro no ouvido de quem eu amo, mas está “longe”. Derramo amor em lágrimas. Lavo minha alma de amor.
Conviver na distância é continuar amando.
É este o amor que pulsa aqui dentro, que move meu viver, que “desatina sem doer”.
O amor que existe aqui, sou eu, todos os dias, vivendo o que não pode ser mentira. Vivendo a exposição mais vulnerável e plausível de ser humano em sua essência. Medito sobre o amor…
Dentro e fora de mim. Ainda que não seja recíproco… Precisa ser?
Me dissolvo nesse mar que carrego em um corpo de 1,52 de altura e deixo transbordar amores que não cabem em mim.

Categorias: poemas

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