O espetáculo

É uma peça escrita por Fernando Arrabal, escritor, pintor, poeta, dramaturgo, diretor e cineasta Espanhol. Nascido em agosto de 1932 em Melilla – cidade espanhola em Marrocos, Arrabal Terán, autor de “O cemitério de automóveis”, “O Arquiteto e o Imperador de Assíria”, “Piquenique no Front” e tantas obras que o tornaram célebre. Arrabal realizou cerca de sete longas-metragens onde se destaca “Viva la muerte”, publicou mais de dez novelas, cem peças de teatro e centenas de livros de poesias.

Inicialmente, a obra teatral de Fernando Arrabal se relaciona diretamente com o Teatro do Absurdo de Ionesco e Beckett.  No início da década de 1960, Arrabal cria com Roland Toporm, Alejandro Jodorowski e Jackques Sternberg, entre outros intelectuais, o conceito de Teatro Pânico. Nele, a peça é um ritual e o público sofre várias provocações e não passa impune. 

O Teatro Pânico (Teatro Pánico) sofreu influência do surrealismo e, é uma mistura de crueldade e absurdo. O nome Teatro Pânico tem origem em Pã, da mitologia grega, filho de Mercúrio (o mensageiro) com uma ninfa. Pã nasceu metade homem, metade animal, com patas, chifres e barba de bode e, se tornou, ao mesmo tempo, uma divindade pastoril que tocava sua flauta e multiplicava os rebanhos, e o símbolo da obscuridade, que causava pânico nos homens.

O símbolo do deus Pã parece explicar a crueldade e a transgressão que encontramos no teatro de Fernando Arrabal. No entanto, a peça “Piquenique no Front”, nosso Projeto de Pesquisa e Montagem, trata de uma crítica à guerra, e se por um lado, o texto traz à tona a violência, por outro lado, faz emergir o olhar ingênuo de personagens como Zapo e Zepo que não compreendem as razões da guerra. É através do humor que se inscreve nesta peça que podemos observar a crítica do autor. O próprio título “Piquenique no Front” já traz uma incoerência característica do Absurdo: afinal como é possível fazer um piquenique em plena guerra?

A guerra e a incompreensão são temas importantes nas obras de Arrabal. Vale ressaltar que o pai de Arrabal fora condenado à morte e depois à prisão durante a Guerra Civil da Espanha, e o mesmo conseguiu escapar da prisão, mas desapareceu. Arrabal, por sua vez, era contra a ditadura de Franco, teve suas obras censuradas e saiu da Espanha para morar na França em 1955. Segundo estudiosos, Fernando Arrabal fora julgado por Franco em 1967 como um dos espanhóis mais perigosos e fora impedido de retornar ao seu país. A guerra assim como a falta de compreensão e a comunicação conturbada estão presentes em “Piquenique no Front” assim como em outras obras de Arrabal, como, por exemplo, La tour de Babel, uma obra inspirada na Bíblia, que mostra o desejo de harmonia dos homens diante do caos.

Com uma escrita muito precisa e essencial em cada pequena frase, Arrabal fala de maneira particular sobre o olhar de filhos e pais em relação à guerra. Encenar esta Obra Prima do Teatro do Absurdo é, além de uma homenagem a um dos grandes nomes deste gênero no Mundo, uma comemoração aos 80 anos de vida do autor, completados em 2012, e mais de 60 anos dedicados ao Teatro.

“Piquenique no Front” nos remete a um momento histórico e nos permite perceber que, mesmo depois de tantas décadas, a banalização da vida e da morte continuam acontecendo nas ruas, no mundo e ao nosso lado, o que comprova a genialidade desse autor. A diretora Jacqueline Laurence que já teve sua tradução encenada em várias cidades do Brasil dirige pela primeira vez o texto e nos honra com o privilégio de sermos conduzidos por sua competência e sabedoria. Assim como Arrabal, cada fala de Jacqueline nos permitiu aprender além do Teatro e isso levaremos para nossas vidas. Obrigado!

Fotos: Janderson Pires

“O espetáculo apresenta o ritmo dinâmico de um combate, a máquina humana é bem azeitada pela direção de Jacqueline Laurence, as personagens são esculpidas na arquitetura ‘blasé’, trazendo os soldados da lira. Um rio cheio de peripécias, onde navega a canoa de seus condutores, os atores Alexandre Lino e Mariana Martins, que revitalizam o casal Tépan, numa composição de rara leveza poética, capaz de num instante segurar uma tempestade de bombas com um simples guarda-chuva (onde reside a beleza da resistência)”.

Sady Bianchin – Doutor em Teatro e Sociedade- Universidade de Roma, Mestre em Ciência da Arte- UFF e Professor e Diretor Teatral.

Ficha técnica

Piquenique no Front

Texto: Fernando Arrabal
Tradução e Direção: Jacqueline Laurence

Elenco:
Alexandre Lino / Sr. Tépan
Mariana Martins / Sra. Tépan
Leo Campos / Zapo
Tom Pires / Zepo
João Fraga / Enfermeiro 1
Diogo Pivari / Enfermeiro 2
Direção musical: Carol Futuro
Iluminação: Lara Cunha
Cenografia: Karlla de Luca
Figurinos e adereços: Ticiana Passos
ProduçÃo Executiva: Alexandre Lino e Mariana Martins
Assistente de Produção: Daniel Porto
Assessoria de Imprensa: Mais e Melhores
Programação visual: Arthur Schreinert
Fotos: Janderson Pires
Webdesigner: Mariana Martins
Contabilidade: Contec Serviços
Operador de som: Paulo Amaro
Operadora de luz: Kelson Santos
Assistente de produção e Diretor de palco: Daniel Porto
Produtores associados: Alexandre Lino e Mariana Martins
Direção de Produção: Alexandre Lino

Realização: CINETEATRO PRODUÇÕES

Saiba mais no site: http://piqueniquenofront.com.br/